É madrugada, lá fora a chuva cai sem cessar
Saciando a terra, regando o campo, banhando a mata
Renovando o pasto, que dará sustento aos animais
Com a semente plantada, na terra bendita e santa.

Faz crescer o milho, o feijão, a soja, e o arroz
As flores ganham mais cores um convite ao 'beija-flor'
Os frutos adocicados, crescem com mais vigor
É a natureza esbanjando, recursos em forma de amor.

As cachoeiras parece encantadas, com seu som misterioso
Os pássaros noturnos voam, e cintilam ao mesmo tempo
Quanta paz exterior, e dentro de mim sopra o vento
Uma grande tempestade que vivo neste momento.

E a chuva continua, e o dia começa a raiar
Os passarinhos se põem a cantar; me encanta o 'sabiá'
Todos estão a despertar, é hora de trabalhar
Virar a terra molhada, que logo irão semear.

Povo saudável e valente, nada há que os afugente
Não pegam nem resfriados, andando pra lá, e pra cá
Na chuva e mesmo molhados, felizes e dedicados
Com a ferramenta nas costas, começam a cantarolar.

Alguns partem para o curral, e logo vão ordenhar
Das vacas, o leite fresquinho, pro queijo e pra se tomar
Um forno a soltar fumaça, é hora de fazer o pão
Que logo estará na mesa, pra todos e quem mais chegar.

Estou só, e a observar, e não sei que rumo tomar
Vejo que estou dividida, e assim me ponho a pensar
Nem sei o que mais me atrai, se o verde do campo...
A calma e a tranqüilidade, ou o lindo azul do meu mar.

De resto, nada me importa, se nada tenho a sonhar
Tanto faz viver no campo, ou no imenso azul do meu mar
Se nada mais me encanta, e por nada eu tenho a lutar
Vou vivendo em tempestade, e deixo a vida passar...


Autora: Pequenina
Música na Voz do: Ribatejano