Ostra, o peso desta palavra...
Deixa-me sem fôlego, e cansada...


Seria cansaço da vida...
Ou cansaço de mim?

A forte atração pelo mar
Só me traz recordações...

Na brisa que me afaga...
Estão as tuas mãos...

Nas ondas que beijam a areia...
Sinto tua boca!

No forte aroma que exala...
Sinto o teu cheiro...

Meu corpo treme, o coração dispara...

Fecho os olhos e entrego-me ás caricias...
imaginárias, da magia dos sonhos...

Sonhos, que eu não queria sonhar...
e não planejei...

Vamos, controle-se!

E mais uma vez fecho os olhos
Cerrando as janelas da alma...

E não a do pensamento...

Este está alojado em minhas vísceras...

Impregnado dentro de mim!

Uma força estranha me leva sempre...
Ao mesmo ponto de partida, como se ali...
Estivesse o meu destino, o meu mundo...

Isto me assusta, e tento fugir!

Fugir de quem, e do que?
Se não vejo ninguém ao meu redor...

As pessoas evaporaram-se...
Como a fumaça no espaço...

Tento gritar!

Mas quem me ouviria...
Se, estou só?

Já é tarde...

Preciso recolher-me ao meu casulo...
Como uma ostra...

Sim, uma ostra!
É assim que me chamam...

Ostra!

Enxugo as lágrimas...
E caminho, rumo ao vazio...

Ou, melhor...

Ao nada...


Autora: Pequenina