Madrugada; logo será outro dia...
E sempre a mesma solidão
Não sei se suportarei por muito tempo, este martírio na alma.

Os pensamentos se confundem, os desejos afloram...
As saudades me cobrem de angústias, e o sono não vem.

Penso em mim, penso em ti, e em tudo que poderíamos...
Fazer, numa noite como esta.

E junto aos meus pensamentos
Me vem as palavras que 'ele' escreveu...
E que as guardo com muito carinho.

Tento fugir...
Fugir do que?
De mim, de ti, do amor?

Creio que não agüentaria estar ao seu lado
Sem que nada viesse a acontecer entre nós
Seria demais para um ser carente de amor como eu.

Penso em ti, em teu corpo atraente de homem másculo
E eu ardente de desejos me atiraria em teus braços.

Tu me procuras, e eu fujo com medo.
Neste exato momento tu me chamas, e eu me calo
Escondida dentro de mim mesma, como uma ostra.

Acendo um cigarro 'sei que não gostas' e olho o relógio
Percebo que ainda me esperas, sei que estás aí...
Bastaria que eu o chamasse, e estaríamos juntos.

Valeria a pena?
Não sei!
Que custaria tentar?
Eu preciso de ti, assim como tu.

Ouço teus apelos, tua respiração, teus músculos exaltados
Meu corpo queima, minha respiração fica acelerada...
Teus braços me apertam contra teu corpo, o coração dispara
Minhas pernas tremem, meus lábios sentem o gosto dos teus.

Uma perfeita tentação!

Não posso falar, as horas passam
O cigarro queimou-se no cinzeiro, sem que eu o tocasse
Sinto-me desnorteada, já não sei o que pensar, nem o que fazer...

Sou uma covarde; duplamente covarde!
Com meu próprio corpo, e com os meus sentimentos.

Volto a olhar o relógio, logo o dia amanhecerá
Preciso dormir!
Vejo um leito vazio, um cenário mórbido, frio e solitário...

Como sempre!

Volto a abrir meu correio, e releio as palavras que 'ele' escreveu...

“Para uma linda mulher, que se esconde como uma menina...
Para uma pessoa sensível, que tem medo de sofrer preconceitos...
Para você que é tão carinhosa e intrigante...
Apenas um beijo”

Que fazer?

Vou dormir pensando, no que acabara de atirar pela janela
E que me deixaria livre desta solidão, que me devassa a alma.


Autora: Pequenina
12/04/02