Amei-te de corpo e alma
Trazendo-te dentro de mim
Meses e anos de alegria
E de esperanças sem fim.

Fiel amante e companheira
Que o tempo me fez viver
Num instante e com surpresa
A terra veio a tremer.

Desabou, ruiu, soterrou-me
Quis gritar não houve jeito
Já esperava este momento
Em que a dor vazava o meu peito.

Agindo como tola, e criança
Que acredita em papai Noel
Guardei-me com segurança
A esperar o milagre do céu.

Mas hoje vejo que a vida
Não vale viver-se assim
Temos que ser diferentes
Vadiar do principio ao fim.

Valores, são descartáveis
Integridade é uma coisa vazia
Dissabores, penetram na alma
Corroem, e matam em agonia.

Conselhos de nada valem
Se tivesse valor, se vendia
Casar-me sem amor, nem pensar!
Não aceito; é uma covardia.

Não quero ser morta viva
Nem ser a esposa infiel
Melhor ser livre, e com gosto
Sorver a minha taça de fel.



Autora: Pequenina