Um dia, irei voltar!

Cansado da vida monótona do dia a dia; manhãs guiando netos à escola, depois um café e bolo na (Nova Era) pastelaria da Rogeres, de volta a casa ler ou ver televisão, mesmo nestes dias lindos de verão, uma coisa que me retirava destas arrelias é o amor que tenho de escrever poesias.

Um dia chateado e sem musa para escrever, fui ao fundo do baú para rever dias de um passado de grandes alegrias e também arrelias.

Peguei num dos meus álbuns e passei uma tarde que não durou nada a passar, olhando essas fotografias de família de amigos e de passeios.

Como eu amei e fiquei surpreendido com algumas fotografias antigas de pessoas que já não estão por perto, outras que desapareceram deste mundo cão em que vivemos.

Vi algumas que talvez não tenham sido muito importantes na minha vida, porque minha memória não guardou a imagem refletida no papel já um pouco desbotado pelos anos.

Nelas encontrei as recordações de algumas festas de Natal, ainda com presentes trocados, a mesa posta com toalhas alegóricas a essa festa rica de tradições.

Existe ali no álbum, algumas fotografias que me levam aos pinos do ridículo, mas enfim a vida é composta de todos os paladares, e é por esse motivo que o ridículo existe.

Verdade que as emoções sentidas nessa tarde foram enormes, a alegria muitas das vezes irradiava minha face, mas as lágrimas quantas vezes rolaram, ora de tristeza ora de alegria, em minha face registraram-se, caretas feias, acenos, arremessos, e saudades se instalaram em meu coração.

Cheguei a pensar que o tempo não tinha passado, mas ao passar a mão por minha cara senti que ele relógio da vida não para nem perdoa; nem de espelho precisei, bastou-me o baixar para pegar noutro álbum para sentir quantos sóis tinham passados por mim, e quantas voltas já dei à volta dele.

Restam-me algumas cicatrizes, e a ferrugem veio cruelmente instalar-se nas juntas de minhas mãos e nas dobradiças de meus joelhos, não falando nas minhas costas a não querem dobrar em dias de nevoeiro, ou anunciando tempestade.

Mas o mais interessante é que apesar de tudo isto, carrego ainda a sensação da juventude, embora saiba que é um engano, o corpo está moribundo, mas a alma que não é outra coisa que o nosso eu, ou seja, o sentido de diferenciar o bem do mal, o bonito do feio, a dor do prazer, o paladar e o conhecer, o nosso pensar no viver.

Agora mesmo ao ver uma fotografia com mais de trinta anos, das minhas três filhas mais velhas, antes de irem fazer sua confirmação, ri-me a bom rir, as três de vestidos iguais duas com o cabelo com rabo de cavalo, não sei se vos lembrais do (ponny tail) a mais nova com um (perroucho) no cimo da cabeça, mais me fez compreender o quanto tinha mudado a minha fisionomia e a minha maneira de pensar.

Ainda revi fotografias da pesca, de brincar atirando bola com todos os filhos, o mais novo assentado numa cadeira de aprender a andar, belas recordações.

A minha mente esteve sempre povoada com a beleza do mundo que Deus criou para nós, mas o egoísmo e avareza não nos deixam desfrutar da riqueza que Deus criou para regalo de nossos olhos.

Abaixei-me para outro álbum, e com o que deparei despertou-me saudades, sim foi com fotografias da ilha verde do Arquipélago dos Açores, uma riqueza plantada nomeio do atlântico, que merece ser admirada, depois a sua gente é duma afabilidade e simplicidade fantástica.

Ali os nossos olhos enchem-se de luminosidade, das cores das flores, do incrédulo do verde, da tranqüilidade, enchem-se, o pensamento de imaginação, e o corpo de vida, é tudo harmonioso.

Peguei numa fotografia tirada em frente da capela do Senhor de Santo Cristo, de quem eu perguntei o nome, o mestre eletricista que instalava a iluminação para as festas da ilha, respondeu-me, para nós os de Ponta Delgada chama-se chocadeira, não pela enorme quantidade de ninhos, mas sim porque debaixo dessa árvores se chocaram através dos anos muitos casamentos, e talvez naqueles bancos se tenham gerado filhos, mesmo à vista do Senhor, mas o verdadeiro nome está marcado numa placa, fui examinar a placa, dizia ser centenária vinha da Austrália e se chamava Disidreiro .

Andei ao longo da avenida; bela paisagem; os olhos entrelaçavam-se, entre a beleza do verde do mar, salpicado de pocinhas de espuma, e o azul do céu com o voar do vai e vem das gaivotas; do outro lado a harmonia das arquiteturas, formadas em cascatas descendo até ao mar.

O carro andou por entre hortênsias e azaléias floridas, nos socalcos milhares daqueles flores branquinhas em forma de cálix, até chegar a uma igreja creio ser das sete cidades

Com uma alameda formada por flores e uma espécie de pinheiros ou ciprestes , e daí a uma viste deslumbrante de cores de águas nas lagoas formadas creio eu por calcários e por mais ou menos profundidade das águas.

As estradas eram estreitas, mas cheias de beleza, e algumas moradias modernas que se encontravam, estavam mais perto do paraíso, pois se podia chegar ás nuvens com as mãos.

Mais além a Cidade, campos e estufas, o mar e a piscina natural, ali se encontrava uma riqueza dos homens e do criador.

A verdura sol e flores enchiam a maior alma, e o coração fica repleto de saudades para os anos que viver, as flores eram de uma altura descomunal, eram encantos, e as águas contavam na imaginação de cada um, mil e uma historias; de mil e um sofrimentos.

De um povo rico em bondade e em crença.

Se puder, um dia irei voltar, a S. Miguel dos Açores e viverei com mais intensidade este milagre da natureza.

Por: Armando C. Sousa

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