Pocinha de lágrimas III


Encontro com a cobra

Na noite em que o Conde tinha partido para a caçada para o condado de Vermoim, passou uma noite de afagos que não tinha memória de uma outra igual o pequeno Alcino, mas também de tristeza, por saber o motivo de tanto sofrimento de sua mãe e a deportação de seu pai.

Nessa noite ajoelhou-se e pediu á cobrinha para mais uma vez vir alegrar o seu sono, e em poucos minutos viajava num grande barco.

Era um coração de criança, e por isso a cobrinha do penedo da fraga era toda a sua vida, de que Alcino esperava os maiores milagre em sonho.

A viagem foi rápida, apenas com grandes e bonitas piruetas feitas pelos golfinhos,
os marinheiros passavam por todos os lados atarefados com seus trabalhos e não viam o Alcino.

Isto porque era apenas um sonho, onde Alcino alcançou a ilha onde seu pai foi deportado.

No meio do mar; mar que o Alcino nunca tinha visto; aviam dias que o vento era frio e a chuva não parava e o filho do Capitão adoeceu com febre alta, era preciso leva-lo para porto seguro; e assim ancoraram numa enseada da ilha; Alcino seguiu com o capitão e marinheiros num bote; porque lhe parecia a ilha que em outro dia tinha encontrado o seu Pai quando a cobrinha de olhos azuis o levou embalado na magia de seu poder de princesa encantada.

Os homens do capitão estenderam editais por todos os cantos espetados nas árvores, pedindo ajuda para salvar o filho do capitão.

O pai de Alcino, viu todas as manobras mas tinha medo; mas mesmo com medo preparou uma efusão com umas certas folhas e foi as levar junto ao homem moribundo dizendo a salvação deste homem está em beber este liquido, ia para se retirar quando o capitão lhe deitou a mão dizendo, se ele morrer tal será tua sorte.

Sr. retorquiu o irmão do Conde de Margarida; se o vosso filho se salvar podereis dar-me a graça de uma viagem de volta a minha terra e família?

Porque me encontro aqui prisioneiro nesta ilha deserta pela ambição e malvadez de meu irmão mais velho, que aqui me isolou só porque eu queria melhores condições para os rendeiros e gente da aldeia do condado de Margarida.

O Capitão respondeu se meu filho viver, tens garantida a viagem e esta arca cheia de jóias que te darão maneira de retomares os teus direitos e sonhos.

Ouvindo a conversa Alcino deu um grande grito de alegria e começou aos saltos de contente. Sua mãe acordou com os saltos e ficou com medo que os criados tenham ouvido o ruído e irem dizer ao Conde que o fedelho ficou dormindo com a mãe.

A mãe agarrou o Alcino tapando-lhe a boca, fazendo-lhe ver que eram ainda 3 horas da manhã, então Alcino voltou á realidade e viu que a cobrinha mais uma vez que lhe deu tanto prazer e alegria mas que não passava de um sonho, no seu intimo de criança pedia à cobrinha para o tornar realidade esse sonho.

Queria brincar com seu pai, ouvir tocar outra vez a concertina e a viola; ouvir a gente da aldeia cantar sem medo do senhor Conde ladrão de toda a alegria da gente da vizinhança e do condado.

Alcino adormeceu e esteve entre os anjos dormindo como um justo.
Até que uma vós meiga e conhecida suava a seus ouvidos: São horas de te levantares Alcino; o conde não esta cá mas tens de ir com os animais…

Alcino levantou-se e foi lavar os dentes com uns bocados de carvão encontrados na porta do forno que ainda estava quente e um cheirinho agradável a pão fresco, depois dos dentes e as mãos lavadas, Alcino dirigiu-se para o canto do banco da lareira com dois grandes potes de três pernas no centro, ali estava se preparando o cozido para os porcos e os cães em especial para o joli; comeu a malga de sopa de nabos que tinha sobrado da (véspera) dirigindo-se para o lugar costumeiro onde se encontrava seu bornal com o sustento para o dia, juntou-lhe uma espiga de milho ao passar pelo quinteiro, joli já andava a sua volta trazendo-lhe tudo que encontrava, era o seu melhor amigo.

Alcino chamou a malhadinha e a pintada para guiar o rebanho ate ao penedo do forno com joli sempre nos calcanhares daqueles que mais se atrasavam. Chegados depôs o bornal ao lado do forno. Quando de repente pareceu-lhe ouvir mexer e foi ver….. qual o espanto ao ver uma cobrinha enroscada de cabeça erguida mas com os olhos verdinhos e tão meigos tão luzidios que lhes lembrou logo a cobrinha dos seus sonhos, chamou a pintada que correu logo para o penedo do forno.

Alcino pegando na escudela mungiu a cabrita e lá foi levar o leite á cobrinha; ela bebeu todo o leite dizendo o teu coração é puro, o rapaz olhou ao redor mas ninguém viu; espantou-se pois pareceu-lhe ouvir uma voz: Fui eu que falei disse a cobrinha, e também te digo que já mandei as fadas do bem combater a tua má sina, eu estarei sempre contigo se me prometeres fazer o que eu te peço.

Alcino pasmado vendo e ouvindo a cobrinha falar, disse; tudo que esteja a meu alcance será teu, justo espero ver o regresso de meu pai e toda a aldeia feliz.

A cobrinha cresceu nesse espaço de tempo e disse hoje pelas três horas da tarde preciso comer uma sopa de pão fresco com leite da malhadinha.

O Alcino ficou preocupado e perguntou onde irei eu procurar o pão fresco?…
A cobra de olhos azuis respondeu; a teu bornal.
Tua mãe começou a cozedura quando começaste aos saltos, eram três da manhã eu estive contigo toda a noite, e a tua felicidade depende se acreditas; rastejando por entre a carqueja ervas e mato desapareceu.

Alcino guiou o rebanho a volta do penedo da fraga pegou na flauta e tocou algumas melodias que tinha ouvido sua mãe cantarolando; contava as horas pelo badalar do sino esperando o regresso da cobrinha para a sopa de leite e pão fresco, tinha tanto que lhe perguntar, ansiedade de saber se seus sonhos viriam um dia a ser realidade, quando poderia encontrar as boas fadas, se elas o poderiam a ensinar a ler e escrever; tanto queria ser alguém para bem fazer.

De momento vê que todos os animais se encaminham para o penedo do forno.

Joli atrás dos animais era um verdadeiro cão pastor. Então o rapaz seguiu os animais. Nesse dia sentia mais que nunca o seu destino comandado por ser invisível que nem todo o seu ser podia contradizer.

Alcino pensava que a vida miserável voltaria logo que chegasse o Conde de Margarida que toda a gente da aldeia tirava o chapéu ou fazia vênias quando aquele monstro de homem passava.

Assim pensando estava o penedo do forno á vista, todos os animais estavam pastando apenas a malhadinha esfregava as ancas contra o penedo fazendo mééé mééé como chamando por Alcino.

O rapaz chegou começando a mungir as tetas da malhadina escorrendo o leite em fio para a escudela. O sino anunciava o fim da sesta eram três da tarde hora de dar a sopa de pão fresco com leite á cobrinha dos olhos azuis.

Alcino deixou os olhos caírem no sitio onde viu a cobra pela manhã, e lá estava ela, mas desta vez muito maior, mas sempre de olhar meiguinho.

Alcino deu a sopa como combinado e foi ao forno buscar a espiga que tinha deixando a cozer. A cobra olhou para a espiga dizendo, eu poderia transformar todos os graeiros em ouro, mas ficará para a próxima.

Alcino, olha, amanhã, quero outra sopa de pão fresco, vais ao caseiro de cima e pede-lhe, dizendo-lhe que um dia bem perto tu lhe pagaras...

Por: Armando C. Sousa

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