Pocinha de lágrimas X

Progresso e Fim!

Encaminhando-se conversando pelas alas do jardim, Diôgo e o Conde de Vermoim entraram em pormenores profundos a respeito de Aldibel da Fraga.

Diôgo pedia para que lhes fosse autorizado a construção nas terras do maninho, junto ao rio dos Escalos. E também a permissão de poder cuidar de seu irmão no Palácio de Margarida.

O jardim estava repleto de flores e entre elas dezenas de borboletas de muitas cores: aqui e ali umas abelhinhas que saltavam de flor em flor, ouve mesmo uma mais disturbada que lhes deu uma picadela obrigando-o a ir acalmar a dor á fonte das sete caras e trezentos e setenta e cinco chafarizes, depois regressaram á alcova onde o conde de Vermoim voltou a examinar o livro dos registros prometendo na reunião pedir para que lhe seja acordado os seu desejos, e que iria dar ordens de preparar um coche com um doutor para transportar seu irmão ainda sem acordo a seu condado: dizendo desde esse momento toda a responsabilidade seria sua, com respeito aos homens presos na torre, que seria também sua responsabilidade.

Diôgo respondeu que os homens de princípios e honestidade que tomariam conta de casos sensíveis; por ele que lhes renderia a liberdade.


Na alcova do Palácio de margarida encontrava-se uma cadeira de rodas ninguém sabe de onde veio, mas que deveria servir para o conde Irmão de Diôgo.

Alcino estava instruído para dar um chá de anona a seu tio que o faria voltar á realidade do seu verdadeiro estado de saúde. Assim aconteceu.

Meus amigos o espaço do jornal é pouco, e eu terei de me abreviar com a historia!


Aldibel crescia a olhos vistos, os edifícios indiciavam-se de acordo com a maqueta de Alcino exposta no penedo raso.

Diôgo foi buscar a fortuna deixada pelos corsários no esconderijo da moura na bacia do Mindêlo, com as jóias e ouro comprou tudo que era necessário para construir Aldibel

Os presos foram soltos dando-lhe a escolher, trabalhar e participar na grandeza da nova Aldeia e receber trabalho de igual valor, ou seguir seu destino, apenas o feitor não teve estômago para ficar, sua ambição era muito mais egoísta que o bem estar e alegria que poderia desfrutar; seguiu.

Os campos eram lindíssimos de verão.

As tardes nos recintos de jogos eram animados; estavam cheios de pais e crianças: mais á noitinha as concertinas e castanhetas faziam-se ouvir, e então era velos homens e senhoras na roda a dar quatro saltos na dança, saltando cantigas ao desafio.

O verão tinha chegado ao fim, agora era ver as cearas de uma cor amadurecida esperando a colheita e recolha nos celeiros ou espigueiros.

Muita gente chegava a Aldibel da fraga, e por ali ficava porque a alegria de ali viver era enorme.

Era a única cidade onde o ouro não tinha valor, porque tinham de tudo que se pode-se imaginar: ali eram todos iguais; os que pudessem trabalhar trocavam horas de trabalho por horas de igual valor, os que não pode-sem eram tratados pelo conjunto do valor de trabalho, Imaginação que só as fadas do penedo da fraga poderiam fazer entra na cabeça dos habitantes de Aldibel. Os que chegavam com ouro viam que nada poderiam comprar, pois tudo que existia era para trocar por horas de trabalho.

Então os que se diziam ricos, poderiam comer o ouro ou deitar-se nele mas não o podiam trocar pelas espigas mais amarelinhas que o ouro.

Os de cifrões e zeros teriam de comer a tinta ou o papel, nas não o rico queijo criado pelas cabritinhas pastando aos redores das pocinhas de lágrimas.

Seria preciso trocar o seu trabalho pelo custo de fabrico, a ganância de amontoar não existia em Aldibel da Fraga.

Mas a felicidade de ali viver era grande; quando iam ao peixe a Mindêlo ajudavam reparando redes e levavam cereal para trocar pelo peixe; vida alegre aquela vida comunitária!

As noites estavam tornando-se maiores, o tempo era passado fiando e trabalhando o linho.

Todos em conjunto cantavam cantigas do tempo de minha avó.

Isabel aparecia menos vêzes nos serões comunitários, sentia-se bastante pesada; fruto de um amor louco por Diôgo.

Os dias iam amenos mas as noites mais frias, nas cozinhas comunitárias o fogo ardia agora dia e noite; era hora de um namoro mais a serio, mas aprovativo pelos pais.

Alcino continuava desenhando o projeto da cidade, seus colegas de pastorícia tinham as mãos cheias ensinando nas escolas da cidade, a cobrinha dos olhos azuis tinha dado a compreensão a cada um de fazer o que melhor sabia fazer.

Estávamos chegados ao fim do ano.

O gado remoía nos currais e as cantigas ouviam-se por todo o lado; a noite ia alta, mas devagarinho um clarão começou a erguer-se por detrás do monte S. Miguel do Anjo.

A noite tornava-se quase dia, todos os habitantes da Aldibel começaram saindo das casas olhando o céu, o espetáculo era maravilhoso, mas fazia medos aos incrédulos e mais ignorantes.

Procuraram resposta no homem em quem cofiavam, mas ele não se encontrava entre eles;

Procuraram Diôgo ou Alcino, não os encontraram entre a multidão, começaram cantando encaminhando-se para o palácio, a clareza subia ainda mais alto.

Do outro lado uma grande estrela parecia ainda com maior brilho

A roda do palácio de Margarida era um mar de gente todos cantando; de repente ouviu-se um grande Aiiii. Aiiiiiiiiii. Aiiiiiiiiii. aiii aii ai, segundos passaram apareceu Diôgo com uma criança recém nascida de sexo feminino nos braços. Ao som dos gritos o Conde Rafael levantou-se da cadeira de rodas virando-se para a multidão disse em voz muito forte: a riqueza e ambição não dá felicidade; desde o dia de hoje todos os meus domínios pertencerão a Aldibel da Fraga, este grito restitui-me a liberdade e o valor de família que eu não conhecia, se a cobrinha dos olhos azuis é Deusa de Aldibel; esta criança é a cobrinha dos olhos azuis, que quebrou seu fado para seguir a vida da Natureza Mãe..,.. Era uma das noites maiores do ano. Mas os cânticos

Duraram até que Isabel pode sair com Fátima nos braços e agradecer tamanha demonstração de amor e comunidade.

O sol começou empalidecendo a aurora boreal nunca vista igual como naquela noite.

E para muitos séculos aquela noite foi marcada como a princesa encantada reencarnou deixando o tesouro escondido no penedo da fraga onde se encontram as pocinhas das lagrimas e só a fonte da moura o poderá desvendar; mas que não teria valor para as gentes vivendo em Aldibel da Fraga.

Fim do conto imaginário Pocinha de Lágrimas de: Armando Sousa

A cobrinha dos olhos azuis contou-me muitos contos
...que estão guardados no abismo sem fim da imaginação

Por: Armando C. Sousa

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