Pocinha de lágrimas VIII

Transformação


Alcino, apurando os ouvidos, parecia ouvir os seus colegas pastores boiando: os sons pareciam vir do penedo do forno.

Era par lá que se encaminhavam as cabritas, ovelhas, e o Joli; depressa o penedo do forno estava à vista . Os pastores saltando de alegria, traziam consigo duas pedras lascas, pedras estas destinadas ao Alcino jogar a malha com eles.

Alcino pegando nas pedras lascas disse: "só jogarei duas partidas," quero ir cedo par casa.

Hoje vou dar o penso do lameiro grande aos animais; preciso aprender a ler e escrever.

Ora o que Alcino queria, era saber, se a senhora que diziam ser fada, sua madrinha, se realmente lhe tinha dado o saber como lhes disse.

Alcino estava ansioso de pegar nos livros, que pertenciam ao Sr. Conde senhor de Margarida, e ver se compreendia toda aquela gama de riscos e sarrabiscos.

Qual surpresa o esperava. Alcino entrou no quinteiro, recolheu os animas, dando-lhes uma ração extra, e , sorrateiramente entrou na alcova da biblioteca do conde de Margarida, seu tio: pegando numa carta de selo quebrado, que estava sobre a escrivaninha , abriu-a, e pode compreender o que dizia, ou estaria louco!

Louco não, talvez sonhando!... pegando no livro que dizia registos, viu que o último nome dizia, Alcino de Sousa e Margarida.

Pai - Diôgo Teotonio de Margarida

Mãe - Isabel Arriaga de Sousa

Filho - primeiro Morgado, do seguido filho do Condado de Margarida. Alcino correu e entrou na cozinha onde se encontrava sua Mãe cantarolando entretida fazendo bolachinhas de mel e farinha de aveia. O bater dos socos de Alcino, veio arrancar Isabel aos seus cantos de sonho, fazendo-a tremer em sobressalto, não lhes saia do pensamento os acontecimentos do dia anterior; num gesto rápido, agarrou no espeto de remover as brasas do lume, virando-se empunhando-o como um florete.

Alcino gritou:

Mãe, mãe, sou eu! Alcino deitando as mão sobre o pescoço de Isabel disse: Mãe diz-me se estou sonhando, ou se é verdade que sei ler este livro?. Começando lendo o seu registo de nascimento de seu pai, de seu tio, de seu avô, enfim, donde vinha o nome do condado de Margarida, e de todos os seus antepassados. Isabel abraçava Alcino e saltava de contente, perguntando ao mesmo tempo: Onde aprendeste tu a ler Alcino?

Ontém a chegada de tu pai...Hoje tu a saberes ler... vou enlouquecer de alegria; impossível, dando uma forte sapatada no própria cara, disse, acorda Isabel, tu estas sonhando, pegando mesmo num caneco de água fria, atirou-o sobre os seus olhos, dizendo: Mas meu Deus eu vejo o lume, o sol, estou vendo meu filho.

Não, não estou louca, sou eu mesma, esta é a minha vida predestinada.

Sigo ao sabor das ondas de um deus que me mete louca de alegria; ai se teu pai estivesse aqui, seria o memento mais feliz par nós dois.

Diôgo vem, diz-me que é verdade.... Alcino batia no ombro de sua mãe perguntando: Mãe, mãe, o pai não esta?... tanto queria falar com ele, contar-lhe todos os segredos, irei dizer-vos que estou fazendo parte d uma máquina da vida que é estranha a mim mesmo, mas que eu acredito, que será uma realidade. Isto é. Tendo a ti mãe, e com o pai a meu lado.

E agora, diz-me, para onde foi o pai?... Isabel sentando Alcino nos joelhos cobriu-o de beijos e disse-lhe: Tu ias-me matando de medo, quando me falaste que estivestes brincando com teu pai na ilha do degredo, hoje vejo que somos pessoas que pertencem a lógica de um Deus que em sonhos nos leva ver o impossível, o que eu vejo em ti, no teu saber, um bem para o mundo; como a mostarda se pode propagar por uma só semente, nós poderemos ser essa semente.

Alcino para responder à tua pergunta... tenho de me acalmar primeiro, para evitar conseqüências, olha segundo o que teu pai me disse ; ele iria ao esconderijo dos piratas buscar o princípio da transformação do condado, será o mais moderno.

Quem sabe, talvez o mais bonito do Pais... De momento o silêncio foi quebrado pelo trotar de cavalos e o rodar de carroças na estrada calcetada que diziam ser o caminho de São Tiago. Isabel estremeceu, mil e um pensamentos se cruzaram e, por momentos, o medo se apoderou do seu ser, mas, depressa se dissiparam ao ver Diôgo galopando um belo cavalo, seguido por uma dezena de cavaleiros e duas grandes carroças puxadas por duas parelhas de cavalos, cujas carroças vinham carregadas de comestíveis e de outros haveres.

Antes de entrar no quinteiro do condado, Diôgo mandou que se instalassem no terreno dos daninhos e ali armassem suas tendas,

Entrou no condado para vir abraçar Isabel e Alcino, também matando a sede do ardor e poeira do caminho.

Isabel beijando Diôgo disse-lhe: Grande surpresa. Nosso filho sabe ler, e nunca teve escola! Logo Alcino diz: Vou vos contar tudo se me prometeres que não me chamareis louco.

Sentando-se entre seu pai e mãe contou todas as peripécias que todos vós conheceis, deixando os seus pais atônitos e de boca aberta. Alcino, respondeu seu pai; eu acredito, porque eu vi muitas mãos com asas lutando a meu lado para defender a nossa honra da maldade do feitor, do capitão da guarda, e dos soldados

Fiquei surpreendido com o desconhecido e desconhecida que se ofereceram par tomar conta da prisão da Torre, dizendo embora prisioneiros que seriam tratados com dignidade ate que fosse instaurado o processo de conduta, o que eu irei pedir ao Senhor de Vermoim: isto porque não quero minhas mãos sujas com justiça.

Irei por as minhas forças organizando a transformação de ouro em estruturas, o trabalho em saúde, os lamentos em cantigas, de pragas em graças, de animas em amigos da humanidade; as espadas em ferramentas de construção, procurando uma vida em comum cheia de alegrias.

Tudo se tornará em prosperidade, para todos que se queiram enquadrar.

Os que se encontram no maninho agora acampados, serão o principio da nossa Aldeia, da nossa Vila, da nossa Cidade.

Talvez num Pais onde a igualdade será irmã da justiça. Alcino sorria ouvindo seu pai, e disse: Pai, parece que queres o mesmo caminho que minha madrinha me traçou.

Se é isso que tu queres, eu te poderei mostrar a maqueta que fiz. para o condado; essa maqueta está perto do penedo lasco, perto do penedo do forno.

O casal que se ofereceu para tomar conta da prisão eram fadas transformadas vindas do pendo da fraga onde se encontrava as pocinhas das lágrimas.

Diôgo sabia que era preciso confiar, para que tivessem confiança, então Diôgo disse a Alcino, o sol ainda vai a meio, poderei examinar o teu projeto, porque acredito em ti e tuas fadas.

Essas tuas fadas também tem sido minhas.

De manhã cedo seguirei para Vermoim; toda a ajuda será necessária.

Conversando e chutando bugalhos foram-se aproximando do penedo lasco coberto com musgo verde nas saliências, e pachos de musgo branco, com algumas flores silvestres.

Aqui e ali, umas pedras espalhadas, mas exposta de maneira estranha; estas pedras, só a mente de quem as colocou poderia explicar o mistério.

Diôgo pondo uma mão sobre os ombros de Alcino disse, nada compreendo.

Meu pai, isto que vês é o principio, justo acabou de sair do nada; está aqui dentro do sem fim da cabeça, o pensamento; confia , dá-me tempo e verás todo o projeto; mas para hoje irei dar-te uma pequena idéia da minha idéia.

Este musgo verde, para alem do branco, serão jardins. Esta pedra ao lado, representa o hospital, o musgo verde para lá da pedra, serão espaços de passeio, aquele musgo branco naquela cova representa campos de jogos olímpicos, aquele (fiinho) de água representa o rio dos escalos, do outro lado do hospital aquela grande pedra será a catedral do condado aberta a todos os credos, aquela, naquele (altinho) representa a torre de abastecimento, estas, aqui, serão as moradias, as pedras que vês além, representam lugares de trabalho e de negócios: enfim Pai amanha poderei dar-te mais pormenores da minha maqueta ao chegares do Condado de Vermoim".

 

Capitulo IX da pocinhas das lagrimas terá o nome de Aldibel da Fraga

Conto inédito de Armando Sousa

Por: Armando C. Sousa

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