Pocinha de lágrimas VI

Regresso ao Lar


Alcino tirou a flauta do bornal começando a tocar a ária de todas as tardes como dizendo adeus aos outros pastores das redondezas e logo Joli começou a fazer meios círculos á volta dos animais encaminhando-os carreiro abaixo.

Alcino enxugava as lagrimas com as mãozitas sujas da poeira e do cajado de marmeleiro: lagrimas de alegria e de dor; de alegria porque acreditava na volta de seu pai: de dor porque viu em sonho seu Tio estatelado na lama e sem acordo e que apesar da sua avareza e maldade era irmão de seu Pai: Alcino acreditava que uma ovelha perdida pode voltar se não for devorada pelos Lobos.

Filho de uma grande mulher que tinha sabido resistir a todas as investidas e maus tratos por amor ao homem que deus lhe pôs no seu caminho, com a coragem recebida pelos sonhos que a cobrinha de olhos azuis lhe incutiu: entrou no Quinteiro dissimulando tudo que lhe ia na grande alma incutida no corpo de uma criança.

A mãe abraçou Alcino demoradamente, as lagrimas rolavam indo cair nos cabelos de seu filho que tinha tirado o seu capucho com respeito por sua mãe que tanto adorava. Sim Isabel pensava nas palavras de Alcino que lhe tinha falado de ter visto seu pai em sonho e que esse amor voltaria um dia não distante.

("vamos deixar Alcino e Isabel encurralando os animais e vamos dar uma olhadela na ilha do degredo") Ali o filho do capitão corsário abria os olhos, a febre descia, a pulsação antes tão acelerada, normalizava: se a palavra do capitão pirata for cumprida.

Diôgo de Margarida voltara ao País, aos braços de Isabel e poderá dar educação a Alcino fazendo do Condado de Margarida uma verdadeira aldeia com Escolas campos de jogos Igrejas doutores e hospitais: a lei será igual para todos: nunca mais as torres sombrias e úmidas do palácio acastelado voltaram a ser lugar de lamurias de inocentes: todo isto corria na mente de Diôgo nesse momento. Alma nobre essa de Diôgo!…

Depois que o filho do capitão corsário começou a normalizar Diôgo deu-lhe umas papas de papaia com umas folhas que só eram dele conhecidas: o rapas levantou-se dizendo ao Pai, estou bem poderemos continuar a caçada.

O Pai levantou-se falando papa todos homens do navio. Promessas sobre o leito de um moribundo devem ser cumpridas: nós alem de ser piratas também temos as nossas promessas para cumprir.

Virando-se para o timoneiro, ordenou rumo ao País mais ocidental da Europa, dali ruma norte ao esconderijo da Moura perto de Mindêlo.

Com um mar calmo mas de vento a favor galgavam as águas: neste meio tempo Diôgo contava ao capitão sua desventuras e seus projetos.

A resposta do Capitão fez-se ouvir por todo o convés, no esconderijo da moura nós te deixaremos moedas de ouro, jóias e diamantes, coisas que nós extorquimos a vilões como teu irmão.

Esses vilões tinham roubado as gentes humildes que os serviam: porque afinal deus criou tanta beleza, por vezes escondida nas montanhas ou nas águas correntes dos rios, dando o saber aos homens para as encontrar e as trabalhar.

Mas essas riquezas devem pertencer a toda a humanidade.

Aos presentes e vindouros: tu irás fazer a tua parte para que os avarentos não usem essas riquezas para aumentar o poder e tirania. "já estavam perto do Mindêlo na bacia do esconderijo da Moura;----" deixamo-los por um pouco de tempo e vamos ver o que se passa com Isabel e seu único filho Alcino.

Isabel depois de ter deitado um pouco de palha na corte dos porcos para amaciar o ninho da ninhada de oito lindos bacorinhos, pegou nas agulhas e na lã. que tinha fiado nos dias anteriores e de suas mãos o tricote crescia, crescia, mas via-se pela sua fisionomia que seu pensamento vagueava por paragens bem distantes.

Alcino tinha adormecido ao canto da lareira, talvez embalado pelos lindos sonhos que a deusa do penedo da fraga vinha pousando no seu pensamento de criança.

A noite já ia alta, e a lua envergonhada por vezes espreitava por entre nuvens que vinham correndo do lado do mar, as estrelas visíveis eram poucas e nem as aves noturnas se ouviam piar, apenas uma ou duas arrás no quinteiro se ouviam quebrando o silencio. Três pancadas soaram secas e sinistras na porta do escadaria do solar.

Alcino acordou em sobe salto tremendo, Isabel atirando o tricote para cima da mesa, pegou no espeto de mexer as brasas que ainda ardiam na lareira, encaminhou-se para a porta perguntando em voz firme….

Quem esta aí!… de for a uma voz bruta mas conhecida respondeu; é o Sr. Feitor, abra a porta…. Não a esta hora, eu não lhe quero nada; se o Senhor precisar de alguma coisa venha amanhã depois das oito.

No meio da noite os olhos daquele homem chisparam de fúria, e respondeu com voz aos gritos, ainda esta noite terás de sair do palácio.

O Conde esta moribundo; serei eu o senhor em comando do palácio: tu Isabel só poderás ficar no palácio se aceitares ser minha concubina.

Isabel ficou furiosa, repentinamente abre a porta e o espeto já vai no ar para castigar a que homem detestável e insolente; mas uma mão firme deteve Isabel, e uma voz que lhe fez estremecer o coração fez-se ouvir:

Isabel, ninguém, mesmo ninguém, tem o direito de fazer justiças pelas próprias mãos, deixa que eu me encarregue de fazer justiças pela ordem que todos teremos de respeitar.

O Feitor já tinha desaparecido no escuridão da noite com os olhos em chispas de ódio, jurando vingança. Isabel caiu nos braços do homem desconhecido que acabara de a deter de ensangüentar as suas mãos para defendendo a honra e honestidade de esposa e mãe.

Dizendo, és tu Diôgo, eu adivinho que és tu meu grande amor, eu sinto a ternura de teus braços e o calor de teu corpo, sinto-me enlouquecer de felicidade.

Era realmente Diôgo.

Que montando o cavalo fornecido pelos corsários, galopou chegando no momento exato ao palácio de Margarida.

Momentos de sonhos para Isabel e Diôgo: 'Alcino falando com seus botões dizia!…

Portanto é verdade o segredo do penedo da fraga!… agarrado ás pernas de seu pai entraram para a cozinha do palácio….

Isabel com voz terna disse: Alcino vai te deitar que eu vou preparar água para o banho de teu pai, mas o rapaz não deixava de abraçar o homem com quem tanto tinha brincado em sonho na ilha do degredo.

Meus amigos, vamos deixar esta família beber da taça da felicidade por algumas horas e seguiremos as pegadas do Feitor, que nesse momento estava convencendo o capitão da guarda Real, par que este fizesse um despejo ao palácio em nome do Conde de Margarida.

Não sabendo que aquele que deteve a mão que o salvou de uma valente estucada era o irmão do onde: Diôgo marido de Isabel.

As fadas do penedo da fraga estavam vigilantes: fizeram adormecer Alcino; deixando para Diôgo e Isabel uma noite que só tu meu amigo e minha amiga podereis imaginar.

O espírito de Alcino vôou nas asas das fadas do penedo até ao Condado de Vermoim; ali, se deteve fazendo vigília a seu tio, que estava rodeado de alguns doutores vindos de ‘Bracara Augusta’ que depois de se consultarem diziam: ele vai viver, mas terá muito a sofrer.

A seguir: Mãos de Fadas

Por: Armando C. Sousa

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