Pocinha de lágrimas IX

Aldibel da Fraga

Diôgo e Alcino regressaram ao solar do Condado. Isabel com um braçado de flores distribuía-as por quatro jovens senhoras, estas muito risonhas e encantadas com a graça, franqueza, e mais ainda, a beleza de Isabel.

Então Isabel dizia, quando tudo estiver organizado, a vila de Aldibel da fraga estiver construída; haveremos de nos divertir e viver uma vida mais alegre; até esse dia, teremos de trabalhar em conjunto, tornando-nos numa comunidade de entre ajuda.

Desde hoje vos digo, que venceremos apesar de muitos trabalhos e sacrifícios que teremos de enfrentar.

Todos que vierem por bem, serão recebidos de braços abertos, esses terão lugar no coração de todos nós, e em Aldibel da Fraga.

Alcino viu ainda umas mãos, entre umas asas que batiam palmas às palavras de Isabel.

Diôgo ouvindo as ultimas palavras de Isabel, foi lhes dar um grande abraço, pela sua visão de comunidade, traços gerais e até o nome que Isabel dizia o encantava, achava-o engraçado.

Diôgo disse a Isabel que voltaria em uma hora; precisava falar a todos que o seguiam desde o Mindelo.

Homens e mulheres com bons hábitos de trabalho; mas que tantas vezes sofriam privações, quando o mar se recusava a dar alimentos, dias as fio.

Homens e mulheres tinham preparado as suas tendas, esperando ordens de Diôgo.

Este aproximando-se do grupo disse; eu não darei ordens, mas obedecerei apenas à inspiração do bem estar de todos os membros desta comunidade, que virá a ser vila, cidade e talvez País.

Cada membro recebe hoje 10 libras em ouro para principio de vida: comprar ferramentas para trabalhar os campos, transformando-os em espigas de ouro.

Trabalhando a pedra, tornando-a em diamantes, tornando as águas do rio, no braço direito dos homens; mas as águas devem conservarem-se puras e límpidas.

Espero para onde fores espalhareis editais convidando os gentios a se juntarem a nós.

Aqueles que querem viver em paz, do seu trabalho, e do produto de seu trabalho são bem vindos .não haverá acumulações de riquezas; mas alegria, essa sim se deverá espalhar a todo o universo.

Quando isto acontecer estaremos vivendo num país terrestre onde haverá dor e morte, porque somos mortais; mas sem nos esquecer que só à natureza deveremos a nossa existência, essa não precisa de dinheiro para viver, ela, só ela, guardará todas as fortunas, pois é ela que Rege.

Haverão sempre os que criarão imagens, chamando lhe deuses para viverem dessas falsas imagens; criando na mente dos fracos medos, dizendo-lhe que os diabos estarão escondidos nas trevas da noite.

A natureza se encarregará de governar a seu belo prazer, reparai nos temporais dilúvios ventos e neves.

Se acredito num ser onipotente?... sim acredito, mas que esse ser entregou todo o poder à natureza, e só ela se encarregará

de governar conforme as necessidades do universo.

O deus que os homens escolheram, é o deus dos ódios, das guerras, das invejas, do ciúme e da destruição do planeta.

Amigos agora que conheceis o meu ideal, vamos à construção de Aldibel da Fraga. Não esqueceis da historia da folha amarelecida do outono, morre e cai ao pé da arvore alimentando o ciclo da natureza....

Desculpai-me, ia-me esquecendo que estava contando uma historia, sem querer embaralhei-me com uma filosofia que nunca saberei dar resposta.

Caso é, que todos ofereceram de fazer o melhor que sabiam fazer, amando o próximo como a si mesmo...

Diôgo veio para o solar de rosto alegre, Isabel estava-o esperando para a refeição da noite; meigamente deitando o seu braço sobre o ombro de Isabel, perguntou; onde foste tu buscar o nome de Aldibel da Fraga, para o nome de nossa aldeia!...

Bom, respondeu Isabel: o nome veio de Alcino, de teu nome Diôgo, e do meu, o da fraga é natural, dela tem saído jorros de felicidade e esperança dela nascer um mundo melhor.

De braço traçado encaminharam-se para a alcova onde se encontrava a biblioteca de seu irmão Rafael, Conde de Margarida.

O que ali viram debaixo das mãos de Alcino, deixou-os pasmados; tão pouco tempo e. enfrente de seus olhos o desenho de uma Cidade simplesmente de sonho.

Maravilhas atrás de maravilhas, as mãos prodigiosas de Alcino, transmitiam ao papel uma visão extraordinária do futuro de Aldibel da Fraga.

Foi assim que me veio à mente um homem de visão de condor 'Marquês de Pombal'

Mas estou eu entrando em assuntos que nada tem com a história da cobrinha dos olhos azuis....vem cobrinha vem, iluminar-me.

Depois da ceia, Diôgo pegou no livro de registros que Alcino tinha lido a sua mãe, dizendo; eu seguirei à risca o que meus antepassados escreveram; até que novas leis sejam postas em vigor pelos maiores pensadores eleitos pelo povo.

Levarei este documento comigo para confirmar. O Sr. De Vermoim é a autoridade mais chegada a este Condado do Sr. Meu Irmão; da minha parte tudo farei para que a dor e desventura seja minorada; o meu coração continuará puro e nunca se manchará com inveja ou vingança, esquecimento ou desprezo.

Isabel vamos procurar secar-lhe as lágrimas de arrependimento, dizendo-lhe que ele também foi e é instrumento que faz parte deste projeto da Aldeia de Aldibel da Fraga.

As noites passadas entre Isabel e Diôgo eram daquelas que nós dizemos das mil e uma noite....um prazer, um amor louco.

A manhã chegou, Isabel deslaçousse de dos braços de Diôgo; foi pé ante pé ver Alcino como dormia...talvez sonhando com sua fada madrinha que lhes deixara cair em seu pensamento sem fim; saber esse que só o Onipotente o poderá superar, e a natureza destruir, isto porque a natureza tudo cria; mesmo as coisas impossíveis e bizarras.

Ela mesma tudo destruiu, por vezes com maneiras bem dolorosas , como seja dilúvios, ventos ciclônicos, fogos terramotos, com o próprio gelo blocando a vida; com doenças como a evóla ou a sida.

À natureza basta juntas as químicas do pólem das árvores, tornando-os em mortíferas doenças. Guerras e pestes originadas pela guerra, tem como origem a ambição e saber, o Deus que é mais Deus; estão na origem a ganância, superioridade de riqueza e superstição.

Era nisto que Alcino estava sonhando.

Dizia à sua madrinha; meus colegas de pastorícia vão deixar de ser meus amigos ao saber a diferença que os iria dividir.

Então sua madrinha dizia, pega na tua flauta, chama por teus colegas, Aldibel da Fraga precisa de todas as intelegencias, uma só que extravie, a aldeia fica mais pobre. Chama-os e eu deixarei cair em sua mente o direito de saber, será preciso Doutores, professores arquitetos, matemáticos e inventores, isto dando-te só o nome de alguns, mas todos fazem falta, não haverá superiores ou inferiores, vivendo em igualdade, vivereis em paz e amor.

Alcino acordou com ar risonho. Já seu pai tinha partido para o Condado de Vermoim. Já em Vermoim Diôgo foi recebido pelo Conde, que o reconheceu pela cara de seu irmão Rafael Conde de Margarida.

Em todo o caso, Diôgo mostro-lhe o livro de registos da casa de Margarida, onde estavam inscritos os deveres que impunha aos seu representantes, mas dizendo nada pretendo de meu irmão; mas sim do Senhor Conde e condados vizinhos. Espero de me dar autorização para construir uma vila que se chamará Aldibel.

Diôgo estás com sorte, respondeu o conde; hoje vamos ter aqui uma reunião de província, para resolver alguns casos, entre eles o de teu irmão, temos de resolver como tratar o seu caso de paralisia e quem verdadeiramente se ocupa de Rafael....

 

Pocinha de lagrimas terá seu desfeixo com o capitulo X (progresso e fim)

Conto original de Armando Sousa

Por: Armando C. Sousa

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