Pocinha de lágrimas IV

As Fadas e o Conde

Depois que a cobra comeu a sopa de pão fresco com leite da malhadinha ficou ainda maior e por entre giestas e carqueja foi rastejando dizendo ainda, todos os teus sonhos virão sendo realidade e desapareceu.

Da flauta feita de bambu, amiga inseparável do pastor saiam melodias lindíssimas que até as cabras pareciam dançar as suas danças encabradas de perícia pondo as quatro patas num pequeno espaço e do penedo fazendo-se tornar como uma ventoinha.

Alcino pousou a flauta e começou boiando.

Bem bem ó camarada; bem bem p'ra brincadeira, anda jogar ao eixo ou então joga a barreira; e o boiar do pastor continuou até que chegaram alguns dos colegas .

Passaram o resto do dia bem alegre sem que o Alcino disse-se uma só palavra de seus sonhos ou da cobrinha dos olhos azuis.

A noite aproximava-se, os animais pareciam estar fartos e já se encaminhavam serra a baixo quando Alcino lançou um ultimo olhar para o sitio onde tinha desaprazido a cobrinha, falando com seus botões.

Disse não te esqueças de mim e de meus sonhos que me enchem de felicidade e a realidade será o coroar desta grande alegria que me invade todo o meu ser, até á manhã cobrinha.

Alcino nada disse á mãe, não porque duvida-se, mas para não afligir aquela que ele tanto adorava, pois já a teria feito sofre com seu sonho, e não queria que a mãe pensa-se que ele estaria a perder o juízo .

Alcino pediu a sua mãe que queria pela manhã um pedaço de pão fresco, dizendo o caseiro de cima vai coser esta noite mas não tem pão para a ceia e seria bom que tu lhe desses um pouco em troca do pão que te pode dar pela manhã.

Depois de tudo preparado Alcino dormiu no quarto da mãe, e logo começou a dormir veio a cobrinha com suas fadas pegando no Alcino e levaram-no até Vermoim ver o que se passava com o brutamontes de seu tio.

As fadas tornadas em borboletas e pirilampos, depressa chegaram umas ao solar do condado de Vermoim outras casas dos caseiros e da aldeia, onde todas as moças da aldeia tinham uma ordem de ir servir nos desejos e caprichos os Senhores da caçada, ficarem para o baile e dormir no palácio se os senhores o desejar.

Muitas das raparigas choravam sabendo da sorte que as esperava; as fadas chegaram e tranqüilizaram as preocupações das moças, dizendo nós somos as fadas do penedo da fraga que guarda o segredo da fonte da Moura, e iremos ao palácio em vosso lugar; mas é preciso que acreditais em nós, vos deiteis dormindo como nunca tivesses recebido o aviso de vos apresentares no palácio com vossos melhores vestidos.

As fadas tornaram-se em carne e osso com todas as semelhanças das moças da vizinhança, ali foram servir os grandes Senhores para lhes darem uma lição inesquecível.

O jantar tinha sido confeccionado pelos melhores cozinheiros do reino, mas as fadas estavam dispostas a uma noite de zombetearia , e conforme preparavam as travessas elas polvilhavam-nas com a pimenta mais picante que havia no reino, o sal era á descarga o vinho tornaram-no avinagrado, as fadas serviram e esconderam-se para ver a cara dos caçadores, ora á primeira grafada começaram a vomitar e pegaram nos copos do vinagre esperando refrescar o ardor da pimenta que lhes queimava a garganta, mas ao sabor do vinagre levantaram-se querendo espatifar o Senhor de Vermoim.

A musica começou a tocar e as fadas vestidas com roupa transparente de mil e uma cores, deixando transparecer um corpo cheio de beleza mas imaginário, um corpo belo que não existia porque eram fadas. Os convidados do Sr. de Vermoim ficaram vesgos com tanta beleza e até a fome tinha desaparecido ao ver aqueles corpos mover as campainhas da barriga e os braços em gestos graciosos de afago.

O Conde de margarida foi para agarrar uma das fadas para a beijar mas ela desapareceu como o fumo deixando-o paralisado no meio do salão perante as gargalhadas dos presentes; fazendo mais outra tentativa a fada fez o Conde( surrupiar) como um pião por tanto tempo que ele ficou quase abafando; os outros não tiveram melhor sorte; sem se aperceber o que se passava elas arranjaram a maneira de os deixar todos a dormir no chão duro do salão.

Ao outro dia de manhã cedo, estava combinado de serem acordados pelos criados para outra caçada; e assim aconteceu.

Os cavalos estavam arreados, e os clarins do palácio soaram a alvorada, os convivas da caçada a cambalear cansados e com fome viram que tinham dormido no chão, foram á fonte das sete caras e trezentos e sessenta e cinco chafarizes refrescar a cara e a memória.

Entretanto as fadas não dormiram preparando as armadilhas de ensino aos insolentes Sr.es do reino; cilhas meias cortadas aos cavalos, cordas nos sítios de passagem obrigatória dos caçadores, por onde a caça seguia para seu esconderijos preferidos.

Enfim a trama estava feita para uma grande lição a alguns Senhores do reino que mantinham os seus trabalhadores e rendeiros na ignorância; sem escolas, sem hospitais nem sala comum onde todos pode-sem confraternizar e tomar novos conhecimentos, ou mesmo usar as suas armónicas de foles e suas pandeiretas e castanhetas .

As fadas antes da alvorada já tinham regressado ao penedo da fraga e depositado o ispirito de Alcino na cama junto de sua mãe.

Alcino acordou quando a vós doce de sua mãe o chamava, mas acordou de sorriso nos lábios. A mãe quis saber da boa disposição do rapas, mas ele apenas respondeu. Mãe não te esqueças do pão fresco que ontem te pedi.

Prepara-te que eu irei ver se já está cosido. Se não estiver esperaremos que se cosa Alcino.

O conde não está cá, são mais cinco menos cinco. Alcino eu também tenho sonhado com teu pai, ele era tão bom para toda a gente, só queria o bem estar e saber para todos, gostava de ver a aldeia contente.

Dizendo quando os campos de jogos estiverem cheios de pais e filhos e filhas também, as enxadas luzidias as prisões vazias e os sinos tocando ave Marias. O País vive de amores e alegrias.

A seguir: Segunda sopa

Por: Armando C. Sousa

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