Fascinava-me!

 

Fascinava-me o ouvir e saber contar histórias; era capaz de perder horas a fio ouvindo os mais velhos contando peripécias da sua juventude e mesmo de seus tempos de crianças.

Ao mesmo tempo raciocinar sobre a verdade de tudo que ouvia, a chegada ao fim do mundo; o conto em verso da nau catrineta; cantoria do José do Egito; o conto do José do telhado; do João Ratão; as aparições de Fátima.

A historia de Galileu foi a que me despertou mais atenção e indignação, entrou em meu peito ainda mais vontade de saber, mas reconhecia que não tinha poder nem meios para aprender.

Pobre juventude foi a minha! Houve um dia que queria escrever, mas logo me dizia o pensamento que já estava tudo escrito; desisti.

Mais tarde, muito mais tarde, cantarolando já no carro aqui no Canadá, comecei ouvindo o que dizia; reparei que era tudo inédito e que até fazia sentido.

Então comecei escrevendo para minha satisfação; pensando no passar do dia a dia da vida, escrevia; lia livros saiam poemas, se olhava para minha esposa saiam poemas; para as flores saiam poemas; para os pássaros, saíam poemas; para a natureza nasciam poemas. Os meus filhos e a minha terra mãe eram temas inesgotáveis. Então pedi a um editor de um dos semanários da nossa comunidade se teriam valor para publicar.

Além do trabalho de toda essa gente da comunicação social, nós ainda não lhes sabemos dar o valor que tem, para tal imaginai, uma comunidade sem noticias das nossas agremiações , de como e quando se vai realizar este picnic, esta festa de consoada, este cruzeiro, aquelas ferias em Cuba, aquela festa no parque da Madeira ou até mesmo o que se irá passar no dia das comunidades Lusas.

Mas falando por mim o trabalho de editar os meus primeiros poemas e de os compreender; digo-vos sem mentir, porque sou amigo da verdade; esses poemas continham 85 % de erros de todas as formas, parte deles originados por estar longe da pátria, falta de ler qualquer coisa em bom Português.

Mas a falta de escolaridade era o que mais se fazia sentir, em todos os meus escritos.

Pequenas histórias, ou mesmo o ensaio de algumas pequenas reportagens, sentia a falta de vocabulário, mas o editor conseguia transcrever o que me ia no pensamento, dando-lhes forma.

Os leitores amavam ler alguma coisa ao nível da sua escolaridade, alguma coisa que lhes falasse da sua terra, das suas montanhas ou rios, dos ranchos de raparigas no campo, das lavadeiras dos rios e fontes, de mouras escondidas e encantadas, e talvez da nossa Pátria, que se estende por todo o universo.

Qualquer canto da terra existe pó de almas Portuguesas; que talvez dai nos venha o sangue aventureiro sempre pronto a enfrentar o desconhecido.

Admiro todos os ramos da informação social, com tão poucas possibilidades vem fazendo milagres, dando-nos noticias de todos os cantos do mundo, que agora estamos apenas distanciados por uns escassos segundos em tempo real usando a internet.

Para aqueles da minha idade e com educação inferior é muito difícil dirigir um computador; a maior parte de nós ainda não sabe trabalhar com um telefone moderno.

Mas se tiveres interesse em aprender não percas tempo uma coisa ou outra é um valor tremendo que juntas ao teu saber, que substituirá o lugar da ignorância.

Ainda não sei, mas creio que vou, no bom caminho, já vou lendo os jornais Portugueses diários e até regionais, que basta ligar para o sapo.com e logo estarás com tua gente, ou então http://www.sapo.pt. Digo-vos que muitas vezes é melhor nada saber se deres conversando com ignorantes.

Como diz o ditado: ‘É melhor ser burro e viver entre os sábios, do que ser sábio a viver entre os burros’.

Mas para viver entre humanos é bom compreender a humanidade. E o computador, e o telefone no futuro fará parte da nossa vida, logo depois do, ar, água, e pão; vais ver que será um teu grande amigo, e que te ensinará tudo que queiras aprender; claro está com a ajuda de um tutor.

Lamento os jornais não poderem dispor de mais espaço, pois teria mais poemas e pequenas estórias para contar, assim terei de as arrecadar num canto do meu computador esperando encontrar um príncipe das mil e uma noites que as venha surrupiar e encrava-las em papel para a imaginação dos vindouros continue trabalhando dando mais poesia ao mundo.

Fascina-me ver que, nunca estará tudo escrito!

Por: Armando C. Sousa

Enviar a um amigo
clique ao lado!!!

Voltar