Alcino de Aldibela III


Como se devem lembrar, do capitulo anterior, as fadas do penedo da fraga arrebataram Bália da torre do destino, onde seu pai a encurralou para a punir.

Segundo as fadas Alcino seria chacinado pelos lacaios do Conde, foi desta maneira que as fadas da cobrinha dos olhos azuis, se determinaram a escrever um novo capitulo na vida desses dois jovens, que o corpo os unia em desejo e amor, mas as ideologias os separavam como duas religiões diferentes, mas que Bália estava determinada a deixar a opulência da riqueza e abraçar a igualdade de viver na honestidade do trabalho como moeda de troca.

Ao acordarem naquela tenda feita de peles de ursos brancos, Bália foi com a mão e sentiu um corpo de homem, talvez o mesmo com quem tinha sonhado, maravilha de jovem e de mulher, foi com a mão, mas nada estava molhado, e aquela dor, que não era dor, mas sim prazer do amor, não tinha acontecido; apenas sonhado; mas não acreditava porque o homem estava a seu lado.

Quando Bália Alcino procurou abraçar, que ainda se estava a acordar, uma mão macia pousou sobre seu olhar; lhe disse, não Bália, nem sempre o que tu vê, é o que pensas; sim, aquele com quem sonhaste, e te deu tanto prazer, esteve aqui a teu lado em espírito; mas seu corpo o transportamos para Aldibela, para junto de Fátima sua irmã e sua mãe.

Nós o voltaremos a trazer seu espírito algumas noites para te fazer companhia, e assim o viverá no teu sonhar, mas tu não o poderás acordar, até que um dia o verdadeiro milagre do amor, possa a seu coração bater.

Bália longe de teus pais tens, de ficar a aprender; eles preferiam ver-te na torre morrer, não querem que seja igual á igualdade, perdendo sobre ti o seu poder.

Por vezes te levaremos em espírito a os visitar, ou até poderás ver os serões de Aldibela ao luar; mas por hoje ficarás conosco aprendendo lãs e o linho a fiar, te ensinaremos a lhe dar core todo o trabalho até ao tear; nesta ilha aprenderás a viver, do tudo ou nada que aqui tiver.

Alcino acordava de um sonho muito esquisito, e não acreditava que dormiu junto de Bália, achava estranho, mas sentia que a amava, se ela deixa-se a luxuria em que vivia e viesse viver com a igualdade, com a alegria...

O Conde dando por falta da Bália na torre do destino, pensou logo que foi Alcino de Aldibela que a foi libertar, oferecendo a seus guardas e lacaios um grande prêmio a quem o matar, entretanto juntaria um exercito que destruiria Aldibela que estava zombando do seu poder e da maneira de tratar seus caseiros e criados.

Só que as fadas do penedo da fraga estavam atentas, nas margens de lá, do rio Pele e do rio dos Escalos, que dividia a cidade de Aldibela e o condado de Vermoim; as fadas se posicionaram esperando os vilões, para ali transportaram todas as colméias e cortiços da redondeza, e os posicionaram do outro lado da ponte da azenha, onde as campinas de flor de trevo se alargavam a olhos nus, por de traz do trevo havia uma larga faixa de trigo e centeio maduro.

A gente de Aldibela trabalhava alheia ao perigo que se avizinhava.

À frente de seus criados e caseiro vinha o Conde montado num fragoso cavalo preto da raça Arábica, atrás deles um exercito das forças Bracálias, e Vinesenses, todos convencidos que iam desfrutar do tesouro em ouro guardado nas tulhas do celeiro forte de Aldibela, coisa vista e prometida pelo conde; este tinha ficado completamente raivoso quando viu tanto ouro para o contrato do fazer o ferro inoxidável.

Antes da ponte da azenha todos pararam para acertar a estratégia, foi quando soltaram o grito de guerra que as fadas do penedo da fraga comandadas pela cobrinha dos olhos azuis, lançaram fogo ao trigo e centeio, levando as abelhas a tornarem-se loucas com o fumo abandonando colméias e cortiços e vai de pousar e agulhar tudo que se encontrava a sua volta.

O Conde, criados, e caseiros, voltaram para traz correndo a bom correr, os exércitos vendo-os correr voltaram a seus quartéis, mas também todos agulhados pelo ferrão das abelhas, o Conde e sua ganga foram-se refugiar nos túneis cavados no monte da cruz, onde minavam o mineral, e ali se esparrinhavam com dores das agulhadas das abelhas; as fadas que sempre excitaram as abelhas ali depositam as colméias perante tantas flores de urze; e assim estas guardavam o fascinório dentro da mina.

Ali permaneceram durante dois dias, até que a cobrinha dos olhos azuis propôs ao conde a rendição das terras a seus caseiros e seus criados, e ele teria de trabalhar suas terras também para poder viver, Bália poderia voltar para trabalhar como as moças de Aldibela...

O que meteu o Conde em loucura, dizendo que não queria ver mais a filha que o fez descer tão baixo...

As fadas disseram-lhe as promessas de hoje serão promessas de sempre, ou as abelhas entraram em ação para te ensinar.

A tua maldade ambição está recusando-se de voltares a brincar com carrinhos de casca de pinheiro, de correres atrás dos papagaios de papel, de chutar nas bolas de trapos, ou mesmo correr com a arca e jogando o pião, assim seja definharás com tua esposa atrás das cabras e ovelhas, que te darão o alimento como todos os viventes, mas não terás grupos de homens trabalhando para ti, e tu os escarnecer.

Alcino que estava pensando no que teria sucedido naquela noite em que se viu nos braços de Balia desfrutando das delicias da paixão e das caricias duma jovem mulher que se entrelaçava perdida de amor, foi sacudido pelas mãos de sua madrinha, vinda do penedo da fraga, esta lhe disse, Alcino tudo que estás pensando apenas te aconteceu em espírito, mas a realidade está á tua espera, queres que tudo aconteça aqui em Aldibela, ou que aconteça em realidade na ilha do amor?…

Depois de pensar um pouco Alcino respondeu, gostaria de principiar uma civilização sã, baseada no trabalho e no amor, onde não existisse ódio ou ciúme, onde o deus que governasse fosse apenas a natureza, mas não o poderei fazer sem abandonar os meus pais e minha irmã Fátima, e isso não o quero a custo algum…

Então sua madrinha lhes disse estarás sempre que queiras em espírito com os teus, e nunca sentirás a dor da saudade, que devora o coração de todo imigrante.

Repondo outra vez as mãos sobre a cabeça de Alcino este se viu sentado numa zangada na beira de um rio com as alamedas repletas de flores com mil e uma borboletas multicores que voavam como numa dança de maravilhas, enfrente do passeio que conduzia à tenda de peles de urso branco, muitas fadas e duendes todos vestidos de tule de mil cores, dançavam com as travessas cheias de frutos exóticos e deliciosos que ofereciam a Alcino o único ser real.

De súbito saída da tenda, um corpo de pele sadia, coberto apenas pelo tule transparente se dirigia para o Alcino, abraçando-o e beijando-o freneticamente com ardor louco de prazer.

A zangada seguiu rio abaixo, todas as fadas e duendes acenavam desejando-lhes felicidades, dizendo em alta vós Alcino e Balia através da vida ainda tereis muitas historias lindíssimas para contar a vossos rebentos e aos de Fátima que se vai tornando a cada dia numa linda menina .

Alcino e Bália abraçando-se e beijando-se desapareceram rio abaixo na ilha do amor.

(Fim desta série)

Por: Armando C. Sousa

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