Lá se vai a linha de meu viver
Adorava tanto meus amigos a escrever
Eu a ler
Palavras não eram nuas, mas de saber
Traziam amor e doçura
No seu dizer
No sonho sentia em seus rostos um sorriso
A bailar
As palavras deles perdi-as
Me faz entorpecer
Ouvia macias, palavras, sentia-as penetrar
Não me vestirei de desculpas por não ouvir
Meus olhos ainda podem ver o vosso sorrir
No espelho reverei minha alegria
Aquela que vai passando
Vocês me davam a cada dia
Sinto a voz fraquejar
Efeito dos ouvidos que deixam de ouvir
É para o fim que estou a caminhar
Sonhos belos que eu fiz estão a ruir
Eles não recebem o som da melodia
As palavras ziguezagam a meus ouvidos
O sonoro timbrado que ouvia
A beleza da música emudeceu
As palavras segredo-as com sorrisos
Foi tudo que esta idade me deu
Este tumor maldito que não pode ser operado
Vai crescendo e apertando meu pensar
Sofrendo por não ouvir vossas palavras
E tirando-me a noção de poetar.

Por Armando C. Sousa