Radiante parti, ver meu berço partido
Amoras e vinho verde nadavam no meu sentido
Depois da meia noite o avião levantou
Manhã alta quando aterrou
Sonolento e faminto
Deambulei pelo torrão hoje para mim labirinto
Atravessei Viana, a Princesa
Minho Verde, de Portugal a maior beleza
Do lado oeste do rio Minho, o torrão onde nasci
Para matar a fome tantas amoras comi
Levava ainda na boca o seu sabor
Nos lábios e minhas mãos o real de sua cor
O vinho era composto, não era puro o verdinho
Apenas conheci os picos do meu Minho
As gentes tinham lindas moradias para mostrar
Viviam nas caves para a beleza não turvar
Conheci o pouco que tinham, como viviam pela surpresa
Tinham abraços de amigos, mas nada para por na mesa
Na gente de minha idade, viver não tinha mudado
Vivendo em escuridão, sem nada ter mudado
Ouvi o sino tocar ouvi o bater as trindades
Estava tudo mudado, só o cantar do galo, me matava as saudades
As amoras estavam verdes, eu nem as pude cheirar
O que era mesmo igual eram as ondas do mar
Levei o ultimo abraço, nunca mais lá voltarei
Já não existe o amor nem a pobreza que deixei
Levei-lhes o abraço eterno á terra e gente que amei.

Por: Armando C. Sousa