Ainda está bem vivo em minha mente a sua lembrança. Ainda posso ver seu rosto plácido tigrado, me olhando com seus olhos cor de mel, às vezes me levantava só para lhe fazer um carinho, pois ficava embevecido com a candura do seu olhar.

O dia amanheceu frio e claro, o sol já despontara iluminava as sombras frias das árvores. Havia muitas rolas, comendo milho picado que havia sobrado do dia anterior. Ainda encolhido sai na porta, ele veio feliz. Como sempre ele chegou docemente, colocou as patas nos meus peitos, e eu lhe afaguei a cabeça.

Dei uma volta olhando, me preparando para uma limpeza, o que era rotina e eu fazia todas as manhãs. Mas resolvi não fazer nada, tomei café e fui pro pc, havia muitas mensagens de diversos. Ai me envolvi e mergulhei na leitura, só me dei conta quando alguém gritou Zorro!

Lembrei que já havia algum tempo, que não o via. Sai as pressas de porta á fora, mas andei nas ruas a sua procura inutilmente ninguém o tinha visto. Vim a saber que ele saíra, como faz sempre que alguém abre o portão, porém dessa vez o esqueceram na rua, deixaram o Zorro do lado de fora.

Já faz muito tempo, quando aqui chegou ardego feliz e fujão. Confesso que muitas vezes pensei em desistir dele. Durante as buscas pelas ruas, uma vez já estava preso numa casa. Eu o trouxe preso por uma corrente. Outras vezes fugia quando me via, mas eu sabia que ele não podia viver como um vagabundo, por isso nunca desisti dele. Um dia fugiu sai a sua procura.

Ai quando ele me viu saiu em disparada, parecia um menino ruim. Veio um carro o atropelou. Voltou para onde eu estava chorando, possivelmente cheio de dor. Eu lhe disse: cachorro que muito anda apanha pau ou rabugem. Fui constante sabia que podíamos ser grandes diversos.

O tempo passou não fugiu nunca mais o máximo que saia era no portão, e fazia xixi no jardim da frente. Muito embora não precisasse, porque meu quintal já era todo marcado, e minhas plantas já todas mortas, de sua urina ácida.

Sempre dava pequenos passeios, mas quando eu chamava pra entrar era de imediato, cheio de obediência. Uma vez ou outra passávamos pela rua, o que fazia com muita alegria. Muitas vezes eu quase não o suportava, pois ele saia me arrastando com uma força de Golias era um akita poderoso.

Através dos anos, tornou-se calmo, pacifico só lembro de velo brabo, quando mordeu meu neto. Nesse dia eu corri gritando, que é isso! Ele correu pra min latindo, como se me quisesse fazer uma queixa, e voltou pra cima do meu neto, só não o mordeu porque não deixei. E por causa disso, coitado deram-lhe umas pauladas nas costas, que ele se torceu de dor.

Fiquei muito contrariado. Outra vez quando se sentiu ameaçado pelo meu filho, mostrou-lhe os dentes, mas isso fez parte do passado. À noite eu me levantava e olhava pela janela lá estava ele de prontidão, sempre atento a minha presença. Quando percebi corria em minha direção, e eu dizia: vai dormir Zorro!

De manhã, sim de manhã, assim que abria a porta lá vinha ele pulava em cima de mim, mordia meus calcanhares, corria como criança feliz, dentro de minhas plantas. Era comum, pegar uma bolinha de tênis que guardava todinha na boca, vinha cheio de movimentos faceiro, e deixava aos meus pés me propondo uma brincadeira, o que eu fazia até me cansar. Sua calda balançava pouco era muito grosso de fartos pelos e bem enroladinha como um caracol.

Mas o que se destacava nele, era sobre tudo o amor. Era de sua natureza ser dócil e carinhoso, se entregava totalmente e altruistamente ao seu dono no frio, no calor lambia minhas mãos, quando muitas vezes não tinha nada para lhe dar, sempre permanecia junto Amin sem nunca mostrar ingratidão.

Quando eu estava triste ele percebia, vinha sentava perto de min. Mas pra ele isso era pouco, tentava subir no meu colo, o que era impossível. Ele muito grande, e pesava trinta quilos, mas ficava ali com suas mãos sobre o meu colo. Ele era constante no seu amor, assim como o movimento das ondas do mar. Talvez ainda leve muitos anos para que nós nos encontremos, ou lhe esqueça, mas talvez permaneça para sempre em minhas lembranças, a doçura de seus olhos cor de mel.

Esta é a história do meu cãozinho!

Autor: Gilson Cassiano de Góes
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