Às vezes ouço o mar chorando tristemente,
Enrolando-se na areia a gemer...
Chega-me, ao peito, a saudade docemente,
Dos teus beijos antes de eu adormecer...

E quando o vento sacode a rosa perfumada,
Impregnam o ar os suaves odores da Primavera,
Vêm à lembrança, os braços de pele amorenada,
Ah, como estar entre eles eu quisera...!

A tua lembrança vive em mim...
Segue-me como sombra, fantasma incolor,
Sempre comigo... perseguição sem fim,
Aumentando, cada vez mais, a minha dor...

E quando o sol se põe moribundo,
Olho o horizonte e vejo que neste mundo,
Amor eterno é coisa de romance, pura lenda,
Que dura até que outro os braços estenda...


Autora: Maria Hilda de J. Alão